domingo, 2 de maio de 2021

Lendas que marcaram o folclore Parnanguara



O Pé Redondo e o Baile do Fandango

Em meados dos anos 60, durante uma sexta-feira ensolarada, num dia de quaresma, chegou um forasteiro a Paranaguá, um homem muito bonito e misterioso, que chamava a atenção por onde passava, veio a trabalho e buscando muito diversão.

Ele parou em uma lanchonete e pediu um “café pretinho, sem leite e sem açúcar”, e quis saber se, na cidade, havia algum baile de fandango naquela noite. O atendente respondeu prontamente que não, pois era dia santo. Ao receber o café, notou que veio com leite e açúcar, mas não quis trocar, deixando na xícara apenas o leite e o açúcar.

Inconformado porque não haveria baile naquele dia, resolveu alugar um clube e fazer sua própria festa. “O baile foi realizado no Clube Estevão, onde hoje é o Nogaroto, na Avenida Roque Vernalha. Era um dia santo e o clube estava cheio, o homem bailou com todas as mulheres do salão, e se apaixonaram por ele. Porém, uma delas notou que seu pé era redondo igual ao pé de um bode e alertou a todos. Neste momento, houve um estouro e a casa começou a afundar, arrastando todos os infelizes festeiros infiéis ao inferno. O homem era o próprio diabo!”, conta a Historiadora do Instituto Histórico e Geográfico de Paranaguá (IHGP), Sônia do Russio Machado.

Esta é uma das histórias que fazem parte do folclore de Paranaguá e são passadas de geração para geração. Essas as lendas vão sendo transformadas pouco a pouco sempre por quem conta o conto, mas sem perder uma de suas principais características, a fantasia. Atualmente, moradores do bairro Costeira afirmam que o Pé Redondo ainda pode ser visto em algumas noites do ano pela região.

 
  

Conto da Caveirinha
 
No século XVII, em Paranaguá, um escravo muito tagarela vinha da Fonte Velha trazendo um balde d’água sobre a cabeça. Atravessando o “Campo Grande”, lugar onde está o Hotel Camboa, avistou um esqueleto humano encostado numa velha fiqueira. Assustado, porém muito curioso, o escravo falador por brincadeira disse ao esqueleto:

– Caveirinha, quem te matou?

– Foi a “língua”, ouviu o esqueleto responder.

O escravo apertou o passo e seguiu seu caminho, não por medo, mas para chegar mais cedo na casa do seu senhor, pois queria estava doidinho para soltar a língua, como sempre fazia, mentindo descaradamente. Primeiro, contou aos companheiros de cativeiro, afirmando que havia falado com uma caveira. Alguns começaram a rir, outros nem deram atenção ao assunto, pois já conheciam a fama do escravo tagarela. Porém, um deles contou ao senhor da fazendo a história que ouviu.

O patrão, já cansado de ouvir tantas mentiras deste escravo, mandou chamar o linguarudo e perguntou sobre o assunto. Prontamente, o prisioneiro confirmou e jurou até mesmo por Deus que tudo era verdade. Inconformado, o amo levou o escravo até o Campo Grande e lá fez uma promessa: “Se o esqueleto ainda estiver lá e não responder à sua pergunta, eu mandarei amarrá-lo ao tronco da figueira, junto ao esqueleto, para receber 100 chicotadas, a fim de nunca mais mentir”.


E para lá seguiram todos, o patrão, os empregados e os escravos, inclusive o falador. E de fato, encontraram a caveira encostada na velha figueira, mas ela não respondeu a nenhuma das perguntas do escravo linguarudo, que não aguentou o castigo do senhor da fazenda e morreu.

Depois que todos foram embora, deixando o homem sozinho amarrado ao tronco da árvore, ouviu-se uma voz, a da caveirinha:

– Eu não te disse que quem me matou foi a língua?!


A Lenda das Rosas Loucas


O Santuário de Nossa Senhora do Rosário do Rocio, localizado em Paranaguá, atrai inúmeros fiéis durante todo o ano e são muitas as histórias dos devotos que acreditam terem visto a imagem da Virgem em diversos lugares.

Conta a lenda que as margens da baía de Paranaguá, no bairro Rocio, viviam humildes pescadores que tiravam do mar o seu sustento. Certa vez, no mês de novembro, em uma das calmarias de verão, eles lidavam com suas redes, já lançadas ao mar por várias vezes, sem mesmo pegar um único peixe. Eles acreditavam que Deus os havia esquecido, bem como a seus filhinhos que, em casa, estavam com muita fome.

Mesmo desanimados, resolveram lançar a rede pela última vez sobre o mar onde a lua reluzia seus raios prateados. Alguns minutos passaram, e os pescadores ouvindo apenas o marulhar constante das pequeninas ondas, mas quando puxaram a rede, sentindo-a leve, e perceberam que não haviam pescado nada. Porém, ela trazia algo pequeno que, entre as malhas, não se podia reconhecer, mas que, aberta a rede na canoa, se depararam com uma pequena imagem, a qual denominaram de Virgem do Rosário do Rocio.

Atônitos e com uma sensação inexplicável, colocaram a imagem no fundo da canoa e novamente lançaram a rede ao mar, este mesmo mar que lhes tinha sido tão ingrato. Mas desta vez, a rede vinha transbordada de peixes. A Virgem havia feito seu primeiro milagre. Os pescadores trouxeram a imagem para a terra, a fim de venerá-la.

No lugar onde hoje se encontra a igreja, morava, no século 17, em 1648, um pescador africano, conhecido por Pai Berê, que, ao saber do extraordinário e precioso achado, prontificou-se a fazer uma igrejinha de sapé, junto a seu casebre. Dias depois, Nossa Senhora do Rocio passou a morar na sua primeira habitação: um humilde templo de pau-a-pique, feito pelas calosas mãos de Pai Berê.

A Historiadora Sônia do Russio Machado conta que, após este feito, os nobres de Paranaguá, que já contavam com uma Catedral, enciumados, decidiram trazer a imagem para o templo localizado no centro, que era grande e bonito, diferente do simples, feito no Rocio. “O povo queria que a imagem ficasse na Catedral, e trouxeram. Quando chegava de madrugada, eles viam uma luz, como uma estrela cadente, que saía desta igreja e batia em um roseiral, no Rocio. No dia seguinte, a Santa estava caída embaixo desta roseira. E esta ida e vinda de Nossa Senhora do Rocio aconteceu por um tempo, até que eles entenderam que a imagem queria ficar lá no Bairro do Rocio e, então, no local desta roseira, foi erguido o Santuário de Nossa Senhora do Rocio. E assim surgiu a lenda das Rosas Loucas”, conta Sônia.

Fonte/JB Litoral

sábado, 1 de maio de 2021

Sem eira nem beira – Origem dessa famosa expressão Antiga



Você já se perguntou de onde surgiu a expressão popular, sem eira nem beira? Em suma, sua origem, assim como tantos outros ditados populares, é de um passado de segregação e preconceito. Ademais, é proveniente de Portugal e está relacionado a pessoas pobres, sem bens materiais que viviam de forma humilde. No entanto, a expressão também está relacionada a um estilo arquitetônico que era utilizado no Brasil Colônia, e que hoje fazem parte do patrimônio histórico e cultural do país.

Nessas construções coloniais, as casas possuíam uma espécie de extensão ondulada localizada abaixo do telhado, chamada de beira ou aba. No entanto, tinha como objetivo dar um toque decorativo e ao mesmo tempo, denunciar o nível socioeconômico do proprietário da construção.

Já a palavra eira, que significa um espaço de terra, seja batida, cimentada ou lajeada que fica próxima a casa. Dessa forma, era costume nas casas portuguesas usar essa terra para limpar e secar cereais depois da colheita, onde eram preparados para a alimentação e para serem armazenados.


Portanto, quando uma eira não tem beira, o vento pode levar os grãos expostos, deixando o proprietário sem nada. Dessa forma, quem possuísse uma eira era considerado como produtor, com terras, riquezas, bens. Ou seja, eram pessoas com alto padrão social. Então, enquanto os ricos tinham casas com telhados triplos com eira, beira, tribeira (parte mais alta do telhado). Com as pessoas mais pobres era diferente, já que não tinham condições de fazer esse tipo de telhado, construindo somente a tribeira. Dessa forma, surgia o ditado sem eira nem beira.

O que significa a expressão sem eira nem beira?

A expressão popular sem eira nem beira veio de Portugal na época da colonização. Sendo que, a palavra eira vem do latim ‘area’ e significa um espaço de terra batida próxima a construção, dentro da propriedade. Ademais, é nessa terra que cereais e legumes são debulhados, trilhados, secos, limpos antes de serem armazenados. De acordo com o dicionário Houaiss, eira também quer dizer área onde se deposita sal em salinas.

Agora, beira ou beiral é um prolongamento do telhado que vai além das paredes externas. Ou seja, é como é chamada a aba das casas construídas na época colonial. Cujo objetivo é proteger a construção da chuva. Então, foi daí que surgiu a expressão popular sem eira nem beira, utilizada até os dias de hoje. Já que pessoas em situação de pobreza não tinham condições de construir casas com esse tipo de telhado. Ou seja, quem não tem eira nem beira não é dono de terra nem de casa, então, vive miseravelmente.

De acordo com estudiosos, a expressão se popularizou devido a sua rima, além de mostrar a condição cada vez mais crescente de pessoas em situação de pobreza.

Definição de padrão social

Somente as famílias abastadas tinham condições de construir suas casas com os três acabamentos do telhado, que era a eira, beira e tribeira. No entanto, as casas populares eram construídas apenas com um dos acabamentos, a chamada tribeira. O que origem a expressão popular sem eira nem beira. Naquela época, os barões tratavam os mais pobres com desdém.

Na verdade, a discriminação chegava ao ponto de somente os ricos terem o privilégio de entrar nos templos religiosos. Ou seja, os pobres e principalmente os negros e escravos, não tinham permissão para contemplar a imagem de Jesus colocada no segundo andar e nem participarem da missa. Hoje, a arquitetura das cidades portuguesas ainda denunciam formas de segregação social e econômica.

Eira, beira e tribeira de acordo com a arquitetura

Bom, já sabemos o que significa a expressão popular sem eira nem beira. Agora, vamos entender o significado do ponto de vista arquitetônico. Em suma, a eira, beira e tribeira são extensões do telhado, sendo que o que diferencia uma da outra é sua localização na cobertura da construção. Portanto, quanto maior o poder aquisitivo do proprietário, mais eiras ou camadas, ele incluía no telhado de sua casa. Ao contrário, as pessoas com menos posses, não tinham condições colocar muitas camadas no telhado, ficando somente com a tribeira.

Por fim, uma das principais características da eira, beira e tribeira são as ondulações, que traziam muito charme para as construções coloniais. Inclusive, esse tipo de construção ainda pode ser admirado em algumas cidades brasileiras.

sexta-feira, 30 de abril de 2021

Mergulhão-grande é avistado pela primeira vez na Baía de Paranaguá


Foi em março, durante as atividades desse monitoramento, que foi fotografado pela primeira vez um mergulhão-grande, cujo nome científico é Podicephorus major. “A aparição do animal é motivo de comemoração. Os mergulhões são verdadeiros indicadores ecológicos, sua presença em um corpo d’água é indício da escassa ou total ausência de contaminação”, afirma o diretor de Meio Ambiente da Portos do Paraná, João Paulo Santana.

“É uma ave migratória, ela nidifica no Rio Grande do Sul e no outono/inverno migra para o norte. Não é uma espécie de fácil registro, tanto que o último feito na região aconteceu em Guaraqueçaba, em 2016”, explica Juliana Lopes Vendrami, bióloga da Portos do Paraná.

É a maior espécie conhecida de mergulhões, mede entre 67 e 77 centímetros de comprimento e pesa cerca de 1,6 quilo. Apresenta a cabeça e a cara pretas na fase reprodutiva, com um pequeno, porém distinto topete occipital. Tem bico longo e afilado, pescoço comprido e castanho, dorso acinzentado e peito branco.

A curiosidade fica por conta de sua vocalização, que é forte e sonora, assemelhando-se a um miado descendente “éo”, “oo-o”, “ook…”. Em época de reprodução, produz um grande ninho flutuante, onde põe de dois a quatro ovos grandes, alongados e brancos.